Category Archives: Folhosas

Prunus “Ikiryō” Mahaleb

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Ainda em casa do Alberto Baleato.

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Workshop com Maria João Simões.

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Trabalho de madeira morta, manual e com máquina.

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Última modelação.

Este Prunus Mahaleb está comigo há cerca de 1 ano, durante este tempo foi trabalhado num Workshop com a Maria João Simões, posteriormente realizei juntamente com o Sandro o trabalho de madeira morta e neste último fim-de-semana voltou a ser aramado e modelado. Estou muito satisfeito com o trabalho realizado até ao momento e com a resposta da árvore, para o ano será transplantado para um vaso de Bonsai e daí continuará o seu longo caminho.

生霊 – ikiryō – 生 (living) +霊 (spirit) – Ikiryō is a specific term for a person who releases their ghost-energy while still alive. It is a rare manifestation, seen mainly in The Tale of Genji.

Uro

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Os trabalhos na Prunus continuam, desta vez havia a necessidade de desenvolver um Uro para resolver um corte grande na base, existiam diversas soluções para este corte e ao longo da última semana pensei muito sobre a solução estética, pois queria uma solução que se adaptasse a esta árvore especificamente.

Trabalhar em madeira verde é muito mais complicado, as fresas entram muito mais facilmente mas não definem tão bem e a quantidade de serrim absurda torna difícil ver o que estamos a fazer. Nesta primeira fase apenas quis desbastar e definir o desenho em si, desenvolvi um uro que é aberto de lado de forma a ligar com o shari anteriormente desenvolvido. Possivelmente no próximo fim-de-semana irei queimar o Shari e o Uro, passar com escova de arame e dar liquido Jin e refinar alguns cortes e detalhes e ai sim espero dar os trabalhos por concluídos…por agora.

As fotografias não fazem justiça ao trabalho desenvolvido, porque perdemos a noção da profundidade, mas servem para registar mais um passo desta árvore no seu caminho.

Prunus Mahaleb

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Esta foi a última peça a juntar-se à minha coleção, trata-se de uma Prunus Mahaleb, uma espécie que me tenho vindo apaixonar nos últimos tempos aliás o meu interesse por folhosas e caducas tem crescido imenso. Chega até a ser engraçado identificar todas estas diferentes fases ao longo da minha evolução pois a mais pura das verdades é que se há 2 anos atrás me falassem de Prunus eu muito possivelmente nem sequer queria ouvir, hoje é uma espécie que me fascina e estou extremamente entusiasmado com este projeto.

Esta peça está de entrada, enquanto outras 10 estão de saída, estou a reduzir a minha coleção drasticamente o meu objetivo é ficar com uma coleção de 15 a 18 árvores ou seja o “crème de la crème”, basicamente quero criar uma coleção à minha medida e à medida do meu tempo disponível e o objetivo é essa ser o mais diversificada possível e conter apenas peças de qualidade.

Viver e aprender.

Tensores

Pessoalmente opto por não aramar durante a época de crescimento, principalmente espécies como as Oleas, pois chega a ser inglório aramar uma árvore inteira para passado 1 ou 2 semanas ser obrigado a desaramar devido ao arame já estar a “morder” os ramos, muitas vezes até de forma grave, caso não tenhamos disponibilidade de andar diariamente em cima do acontecimento, sem contar que os resultados de fixação deixam muito  desejar devido ao curto de espaço de tempo que o arame passa no ramo. Mas não aramar não significa que não possamos continuar a modelação da árvore juntamente com os restantes trabalhos de poda.

Os tensores são uma óptima solução para irmos movendo alguns ramos para zonas que necessitamos mesmo durante a época de crescimento e dão-nos sempre um maior espaço de tempo após a sua aplicação, embora também seja preciso ter atenção às zonas do ramo onde o arame executa pressão.

Hoje foi um bom exercício na Olea “Tormento” Sylvestris que também me relembrou a utilidade dos vasos de treino serem em plástico.

Olea “Tormento”

Adoro ver fotografias de trabalhos “antes e depois” este não é certamente o caso, pois esta árvore ainda se encontra muito longe de estar finalizada, poderemos chamar um “antes e agora”.

Esta Olea está comigo desde 2009 a primeira fotografia é de quando a adquiri ao Ivo Santos, a segunda fotografia foi tirada hoje, não existiu nenhum motivo especial para o fazer, apenas quis registar o estado actual desta árvore, pois a mesma será modelada mais uma vez no Outono e ai acredito sim que a diferença será acentuada e voltarei a registar.

Myrtus Communis

Há cerca de 1 ano atrás adquiri esta pequena e humilde Murta ao Ivo Santos, na altura optei por a não apresentar no blog pois a árvore só tinha cerca de um ano de recuperação, passado este tempo e estando a árvore recuperada existia a necessidade de refinar a madeira morta antes da formação da massa verde, pois posteriormente seria impossível alcançar certas zonas e diversos cortes necessitavam de ser disfarçados.

Mais uma vez utilizando a Dremel utilizei a fresa Weasel 100 e posteriormente a Weasel 101 que é uma fresa mais fina para adicionar detalhe pois não podemos esquecer que é importante ter em conta a escala, principalmente quando trabalhamos a madeira morta de um Shohin, depois para suavizar as marcas da máquina passei tudo com uma escova de aço.

Agora é deixar o tempo actuar para trazer a textura desejada e uma tonalidade cinzenta para depois passar com líquido Jin, neste caso específico sou capaz de não o diluir, a ver.

Olea Vortex

Há quase 1 ano atrás quando adquiri esta Olea o meu objectivo era ter uma Olea com algum porte na minha colecção, o trabalho de madeira morta feito com Makita tinha sido iniciado pelo Ivo Santos e a possibilidade de refinar o trabalho iniciado era algo que me entusiasmava.

O trabalho foi realizado hoje ao longo de mais de 5 horas, toda a madeira foi refinada com Dremel, acrescentei diversos detalhes e fiz algumas reduções mais drásticas acentuando alguns detalhes que me agradavam.

Todos os detalhes que foram acrescentados ao desenho iniciado anteriormente foram feitos com a Weasel 100 e todo o refinamento final foi feito com escova de aço de forma a tentar eliminar a maior parte das marcas feitas pela máquina. Acredito que esta árvore hoje deu mais um passo no seu percurso.

Agora ficará os próximos tempos sem qualquer protecção, para ganhar tonalidade cinzenta e textura pois isso nenhuma máquina consegue fazer e só depois irei aplicar líquido Jin diluído.

Transplantes

Sempre que mexemos nas árvores acabamos por as redescobrir de alguma forma, um novo detalhe, uma nova frente, uma nova árvore. Os transplantes não são excepção, pois são uma excelente oportunidade de as observar de ângulos que muitas vezes quando estão num vaso se tornam complicados de visualizar. Esta primeira época de transplantes do ano fez-me redescobrir 5 árvores que estavam no meu viveiro.

A lista de trabalhos não era pequena, numa colecção de 17 árvores, 8 delas necessitavam de transplante, tendo em conta o tempo disponível e de forma agilizar todo o processo, optei por deixar 3 Oleas para Agosto.

Dentro das 5 árvores que transplantei, existia um caso especial que era a separação da Sabina Duplo Tronco a decisão estava tomada já há bastante tempo e foi durante um workshop com a Maria João Simões que a operação decorreu, não foi propriamente um processo simples mas foi certamente muito interessante.

Chojubai

Esta pequena e humilde árvore é uma pequena celebração por ter nascido o meu filho Lucas a Família cresceu e não foi apenas no viveiro, desta vez foi também cá em casa. Queria marcar esta data com algo, optei por um Chojubai, que era algo que andava a namorar há algum tempo. É engraçado que no início do meu percurso nesta arte não me via a admirar este tipo de espécies, mas a verdade é que com o tempo tenho aberto cada vez mais a porta a novas experiências.

Não foi fácil arranjar um Chojubai mesmo que humilde, na realidade na Europa é bastante difícil adquirir exemplares desta espécie, este foi importado do Japão e de todas as hipóteses disponíveis, que não eram muitas foi o que mais me agradou. É um projecto que vai levar muito tempo até ser algo, mas isso faz parte da essência desta arte e acredito que isso reflecte de alguma forma o percurso que se coloca perante o meu filho, logo a escolha para marcar esta data não podia ser melhor.

Com as etiquetas

Final de Verão…

Encontramo-nos na recta final do Verão, as listas de tarefas tem agora uma mudança brusca e as árvores tal como nós entram num ritmo diferente. A temperatura começa a descer, começam a voltar as nuvens cinzentas e por sua vez a chuva.

Após realizar as tarefas que tinha em espera, optei por realizar um pequeno registo do viveiro e das árvores fazendo um conjunto de fotografias, partilho aqui algumas delas, espero que gostem.

Olea “Vortex”

Desde que comecei a realizar alguns trabalhos de madeira morta, que esperava ansiosamente por encontrar um projecto com algum porte se possível uma Olea onde pudesse desenvolver a minha criatividade mais a nível de detalhe, neste caso irei continuar o trabalho inicial do Ivo Santos. Mais uma vez não estava nos planos adquirir mais material, a oportunidade surgiu e decidi avançar. Esta foi a minha última aquisição de 2010, agora o mais importante é aplicar-me  na formação e trabalhar o máximo possível  dentro do meu tempo disponível para continuar a minha evolução.

Esta Olea tem 70cm de Altura e 35cm de Nebari.

Uma visita…

Como Artista e Designer as madeiras mortas sempre foram algo que me despertaram uma curiosidade imensa, as formas infinitas e os diversos padrões que a Natureza tem capacidade de criar fascinam qualquer um que a estética faça parte da sua vida e eu não sou excepção. Sou capaz de perder horas admirar um “simples” padrão de madeira morta de uma Sabina, pois o mesmo parece-me sempre eternamente perfeito e a repetição de o observar nunca me leva ao cansaço, leva-me sim a uma admiração e fascinio profundo por uma “criatividade natural”.

A possibilidade de refinar ou esculpir do zero uma madeira morta sempre foi um tema que me interessou, mas até ao momento não tinha tido a oportunidade de observar o processo isolado e dai surgiu a visita do Ivo Santos, o trabalho de madeira morta do Ivo não é uma novidade, tive a sorte de ver ao vivo muitos trabalhos dele e acredito pessoalmente que com dedicação, será num futuro próximo reconhecido pelo seu trabalho. Uma noção estética muito interessante e um olho apurado para o detalhe fizeram desta “visita” um dia muito bem passado onde aprendi muito.

Trabalhamos duas Oleas, uma delas necessitava de um trabalho feito do zero a outra de redesenhar na totalidade a madeira morta já desenvolvida, foram cerca de 8 horas de trabalho intervaladas com um excelente almoço onde tive a oportunidade de lhe mostrar que aqui no centro para os lados da Caparica, também se come com qualidade.

Os resultados finais serão apresentados aqui daqui a alguns meses, neste momento estou focado na “recuperação” das árvores após as intervenções e em deixar a madeira secar, para que o trabalho realizado possa ser apreciado.