Phytophthora

O percurso de um Bonsaísta é estranhamente parecido com o percurso que uma árvore faz até chegar a Bonsai, passamos por altos e baixos, por fases entusiasmantes e entediantes, por fases de alegria e fases de tristeza, mas todas elas fazem parte do caminho que temos de percorrer para alcançar os nossos objectivos. Mas é nos momentos menos bons que somos testados ao limite e é nesses momentos em que tocamos o nosso limite que nos questionamos se realmente queremos percorrer aquele percurso a que nos propusemos.

Nestes últimos tempos, mais precisamente desde a última Primavera que me vejo confrontado com um ataque geral de Phytophthora no meu viveiro e esta luta dura há mais de 7 meses e durante esse tempo tenho-me questionado se este percurso é algo que quero realmente percorrer, pois hoje percebo que ser Bonsaísta não é apenas quando temos o viveiro todo verde, quando as rebentações são fantásticas e quando tudo corre bem, ser Bonsaísta é como os Amigos, só percebemos se são verdadeiros quando as coisas começam mesmo a correr mal e batemos no fundo, esse sim é o verdadeiro teste.

Lutei com tudo o que sei (que na realidade é muito pouco) com esta nova novidade, as árvores não estavam verdes, as rebentações não eram fantásticas e toda a minha realidade era abalada a cada dia que passava, via as minhas melhores árvores a perderem massa verde, via as minhas árvores a passarem mal e por sua vez eu passava mal com elas e em muitos dias questionei-me como Bonsaista e se aquele percurso que designei seria o certo para mim, questionei-me até se haveria de desistir da Arte do Bonsai e se na realidade não tinha entrado no caminho errado.

Enganem-se aqueles que penso que escrevo este post já livre da Phytophthora, ou que escrevo este post depois da batalha vencida, a verdade é que a batalha continua e sei que irá continuar para sempre, mas a cada dia que passa vejo também muitas das minhas questões respondidas e continuarei a lutar ao lado das minhas árvores.

Aproveito por agradecer por duas razões diferentes a duas pessoas que foram muito importantes nesta fase e que sem elas teria sido bem mais difícil de ultrapassar, primeiro a minha amiga Maria João Simões que esteve sempre ao meu lado com toda a sua sabedoria e compreensão e que tem travado esta luta comigo e depois a um amigo de Guimarães chamado Viriato Oliveira que me tem motivado, entusiasmado e inspirado com toda a sua energia e amor que tem à Arte do Bonsai. Obrigado.

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6 thoughts on “Phytophthora

  1. Mario Eusebio diz:

    Viva David!

    Espero que consigas dar a volta por cima!

    Desde o inicio, há uns meses quando trocamos uns mails, que te disse que o problema era fungico, infelizmente também tenho andado numa guerra este ano pelas mesmas razões, mas os estragos são muito limitados!

    Nesta “guerra” não se pode passar 15 dias sem controlar e nunca baixar as defesas, é sempre melhor reforçar a prevenção do que depois tentar minimizar os ataques!

    Força aí!

    Abraço

    Mário Eusébio

    • Olá Mário,

      Espero que esteja tudo bem ai pelo Porto 🙂

      Pois desde essa altura que tenho estado na batalha de 15 em 15 dias sem baixar guarda e pelo que a Maria João me disse a luta é para continuar pois a Phytophthora é um problema para a “vida” que dificilmente consegues erradicar para sempre.

      Até ao momento não perdi nenhuma árvore, tenho uma em cuidados intensivos mas é a única de resto as árvores vão recuperando, mas foi uma época de crescimento perdida, aliás crescimento foi reduzido, vigor baixo, perdi mais do que ganhei em algumas árvores andei 1 ano para trás…

      Obrigado pelo comentário e grande abraço,

  2. Viva David!

    Força aí!

    Abraço 😉

  3. […] Sabinas e embora estas conclusões possam ser precipitadas (pois venho de uma longa luta contra a Phytophthora) não há nada como “Viver e Aprender” e deixar aqui mais um passo no meu percurso no […]

  4. […] ter sofrido um grande ataque de phytophthora o ano passado, foi altura de rever todos os meus processos de cultivo, incluindo a própria rega e […]

  5. […] de emergência devido a ter voado duas vezes para o chão devido a duas tempestades e quando a phytophthora atacou o viveiro, foi das árvores mais afectadas, estive prestes a perde-la, mas a verdade é que […]

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